O que os animais representam no presépio? Você sabe quem inventou essa tradição?

Os cordeiros, o burro e o boi dos presépios simbolizam, cada um à sua forma, a pobreza e a simplicidade.

 

É difícil não se comover com o espírito natalino que avança dezembro convertido em luzes, cores, anjos, árvores e, especialmente, presépios remontando ao nascimento do menino Jesus. Em volta da manjedoura, improvisada dentro do curral, aparecem a Virgem Maria, mãe de Jesus; José, o pai; os anjos que anunciaram a sua chegada; os pastores da região; os Três Reis Magos – que, orientados pela Estrela de Belém, ofereceram à criança ouro, incenso e mirra – e, também, cordeiros, um burro e um boi.

Recriada em diversos tamanhos, a cena da natividade é amplamente difundida e apreciada em países cristãos. Mas você sabe o que simboliza a presença desses animais na tradição?

O primeiro presépio que se teve notícia teria sido construído por São Francisco de Assis com personagens vivos, em 1223, na vila de Greccio, na Itália. “Não existe nenhum fundamento histórico sólido sobre a presença dos animais, porque é dentro da religiosidade popular, mas tem um sentido simbólico, aberto à interpretações”, explica o historiador frater Henrique Cristiano José Matos, que escreveu, entre outros livros, Ecologia e Animais. Uma delas, de acordo com ele, é a de que até os animais representam, ali, a simplicidade.

“Não existe nenhum fundamento histórico sólido sobre a presença dos animais, porque é dentro da religiosidade popular, mas tem um sentido simbólico, aberto à interpretações”
Frater Henrique Cristiano José Matos

Considerando que São Francisco de Assis vivia no campo, o boi era um animal muito útil, pois arava a terra. O burro, por sua vez, era o animal de serviço dos pobres, de gente simples, por excelência. Já o cordeiros eram essenciais para a obtenção do leite, carne e lã. “A ovelha também representa a inocência e a pureza”, acrescenta o frater. Além disso, embora não tenha associação direta com o presépio, é sabido que São Francisco de Assis – considerado o protetor dos animais e o padroeiro da ecologia – chegou a trocar um manto para salvar dois cordeirinhos que estavam prestes a serem vendidos por um mercador, para o abate.

Na história de Jesus, desde o seu nascimento, fica clara, então, a opção pela pobreza, pelo despojamento, afeto, símbolos reais do Natal, que muitas vezes é reduzido às pretensões consumistas do mundo atual. “Papai Noel é uma invenção contemporânea, não tem nada a ver com a tradição cristã. Muita gente se deixa levar por coisas completamente alheias e superficiais, enquanto o presépio se refere exatamente ao essencial, à expressão da gratuidade”, arremata Matos.