Emagrecimento, excesso de apetite, grande quantidade de urina e muita sede são sinais de alerta para donos de cães e gatos. Os sintomas podem indicar a existência de uma doença hormonal muito comum nos pets: o diabetes mellitus.

A doença, que se caracteriza pela deficiência parcial ou total da produção e secreção de insulina pelo pâncreas, afeta os animais de forma diferente. A mais comum em cães é o diabetes tipo 1, quando o organismo não consegue produzir insulina. Nos gatos, a incidência maior é a do tipo 2, quando há a produção da insulina, mas em quantidade aquém do normal. “O diabetes que afeta os cães não tem cura, é o tipo de doença que terá que ser monitorada durante toda a vida do animal. Já em gatos, em alguns casos é possível reverter o quadro e ele não precisar mais do tratamento”, explica a médica-veterinária endocrinologista Dra. Marina Madeira.

O diabetes afeta em maior quantidade gatos machos castrados e cadelas não castradas, ambos acima dos 10 anos. Outros fatores que influenciam são a existência de outras doenças hormonais, como o hiperadrenocorticismo, a gestação das fêmeas (que pode ocasionar diabetes gestacional) e, no caso dos cães, a raça (mais comum em schnauzer, poodle e labrador, por exemplo).

Paciente Nina: sucesso no controle do diabetes mellitus.

Diagnóstico

Mel e Luna: ex obesas, portadoras de hiperadrenocorticismo. A glicemia, nesses pacientes, deve ser monitorada com maior frequência, afim de diagnosticar precocemente o diabetes, caso ele venha a surgir. São pacientes com maior risco de desenvolvimento da doença.

“Nos cães, a primeira coisa que analisamos é a glicemia, ou seja, a taxa de glicose no sangue. Se a glicose estiver acima de 130 mg/dl, por exemplo, é um quadro de hiperglicemia e conversamos com o dono para encontrar fatores que influenciam esse resultado – como a ingestão recente de carboidratos. Se o resultado for acima de 200 mg/dl, tenho confirmação do diagnóstico e interno o animal para exames complementares para investigar se existem outras doenças”, conta Dra. Marina. Em gatos, a glicemia varia muito com o estresse do animal e a internação é feita quando a taxa de glicose no sangue ultrapassa 300 mg/dl.

Outro exame muito importante que deve ser realizado nos animais com sinais de diabetes é o ultrassom abdominal, pois o exame permite avaliar o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas, que podem ser afetados negativamente pela doença. O Visiovet Diagnóstico Veterinário é um centro de diagnóstico por imagem com tecnologia avançada e realiza o ultrassom abdominal, além de tomografia computadorizada e exames radiológicos e cardiológicos.

“O diabetes é uma síndrome que não causa apenas hiperglicemia e hipoglicemia. Ela também é acompanhada de alta taxa de colesterol e triglicérides, que prejudicam o fígado e o pâncreas, causando outras complicações para o animal. Por isso é muito importante fazer o acompanhamento da doença e realizar o ultrassom abdominal.”

Dra. Marina Madeira

Complicações

Entre as possíveis complicações da diabetes estão a acidificação sanguínea (cetoacidose diabética) que ocorre em reação a glicemia elevada por tempo prolongado, que pode provocar desidratação, vômito, diarreia e até a morte do animal; outra complicação é a hipoglicemia, que pode levar à convulsão, coma e morte. “O tratamento é feito unicamente pela aplicação de insulina, que é diferente para cães e gatos. Também é importante que cadelas diabéticas sejam castradas, pois se elas entram no cio enquanto diabéticas, fica mais difícil controlar o índice glicêmico”, acrescenta Dra. Marina.

Para evitar complicações da doença, o ideal é que os animais façam check-ups a cada seis meses, principalmente após os seis anos de idade.

Miusha: desenvolveu o diabetes mellitus após diagnóstico de hiperadrenocorticismo, endocrinopatia comum em cães. O excesso crônico de cortisol, proveniente dessa doença, propiciou  o desenvolvimento do diabetes.