O prurido pode ter diversas causas e o médico-veterinário dermatologista precisa identificá-las para indicar o tratamento mais assertivo

Seu cachorro costuma lamber as patas, se esfregar no sofá e no tapete e se arrastar pelas paredes? Apesar de muitos donos não saberem, esses são sinais de prurido, a popular coceira.

Mais perceptível em cachorros do que em gatos, o prurido pode ser resultante de dermatite alérgica, seborreica, fúngica, bacterianas, parasitárias ou até mesmo ter relação com alimentos. A mais comum no Brasil é a parasitária, causada principalmente pela picada de pulgas.

Para identificar a doença, é preciso consultar um médico-veterinário dermatologista. Ele analisará diversos aspectos da saúde do animal para chegar ao diagnóstico. “O primeiro passo é verificar a presença de parasitos. Se eliminamos essa etapa, fazemos cultura fúngica. Excluídas essas duas possibilidades, partimos para a hipótese de dermatite alérgica ou seborreica, considerando também a possibilidade de uma doença endócrina”, resume a médica-veterinária Dra. Fernanda de Knegt.

A análise dos sinais clínicos do animal é sempre fundamental para o diagnóstico assertivo. “Quando o problema da pele é acompanhado de excesso de urina, de fome e de sede, é necessário realizar exame glicêmico e até mesmo um exame de imagem ultrassonográfico com o objetivo de avaliar a glândula adrenal. A tomografia computadorizada também é útil para verificar eventuais alterações na hipófise. A associação desses exames de imagem com os exames de sangue confirmam ou não o problema hormonal.”, explica a Dra. Fernanda.

Animal com dermatite seborreica em decorrência de disfunção hormonal da glândula tireóide (é possível ver as caspas sobre o dorso do animal)

Cão da raça Yorkshire com lesões causadas por fungos dermatófitos e prurido causado por contaminação bacteriana secundária.

Pata de felino com dermatite atópica (alopecia no membro pélvico esquerdo devido à lambedura excessiva).

Cão da raça Chow-Chow com alopecia da garupa e da cauda devido a dermatite alérgica à picada de pulga.

“Gatos são coçadores silenciosos, geralmente os tutores desses animais só percebem que há algo errado quando há falhas na pelagem ou escoriações na pele deles. Muitas vezes a lambedura excessiva dos gatos se relaciona a situações de estresse. A manifestação clássica do prurido é mais comum em cachorros.”

Dra. Fernanda de Knegt, médica-veterinária dermatologista

Precaução

Atitudes simples podem contribuir para a redução do prurido no cachorro, como por exemplo, a utilização de xampus terapêuticos que hidratam a pele do animal e a aplicação de remédios para controle de pulga e carrapatos.

Cães de pequeno porte, que costumam ficar em sofás e camas, são mais dispostos a apresentarem dermatites alérgicas por estarem em contato mais íntimo com ácaros e fungos domésticos. Por isso, é preciso ficar atento a esses animais.

Teste Alérgico Intradérmico – o resultado do teste é utilizado para elaboração de vacina alérgeno-específicaia.

Cadela da raça Pug com lesões alopécicas causadas por Sarna demodécica e com prurido provocado pela infecção bacteriana secundária à sarna.

Tratamento

Cada tipo de dermatite exige um tratamento específico, mas todos fragilizam a pele do animal, possibilitando a ocorrência de infecções bacterianas secundárias, que devem ser tratadas com antibióticos. Porém, o uso indiscriminado dessa medicação pode selecionar bactérias resistentes, causando problemas mais sérios e, por isso, é importante que o médico-veterinário seja procurado assim que surgir o prurido. Ele fará um estudo completo para descobrir o real motivo da doença e, assim, poderá indicar o tratamento mais eficaz.

“Alergia não tem cura, mas é possível controlá-la para que o animal viva bem. O grande problema é fazer uso excessivo de corticoides na tentativa de controlar o problema já que, seu uso prolongado tem efeitos deletérios ao organismo dos animais. Assim, devemos tratar a causa da alergia, devolvendo à pele sua proteção natural. Esse tratamento pode ser, por exemplo, com o uso de uma vacina para alergia, específica para cada indivíduo, que é desenvolvida a partir de testes alérgicos”, acrescenta a Dra. Fernanda de Knegt.

Fotos: Dra. Fernanda de Knegt.