A incidência da doença aumenta à medida que cães e gatos elevam suas expectativas de vida. Com o maior número de casos, cresce também a necessidade de exames preventivos com o intuito de se chegar a um diagnóstico precoce e, por consequência, a maior sucesso no tratamento.

Os tipos de câncer mais comuns em cães são o linfoma (que acometem, na maioria das vezes, os gânglios linfáticos, responsáveis pela produção e o armazenamento das células de defesa), os de pele (carcinomas, mastocitoma, por exemplo), o hemangiossarcoma (tumor que se origina dos vasos sanguíneos, que é mais comum na pele e no baço) e o câncer de mama, em cadelas e gatas. Em gatos, o linfoma, os carcinomas de pele ou de mama e o sarcoma vacinal (que aparece como resultado de uma reação inflamatória na região onde o felino é vacinado) são os de maior incidência.

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**Pesquisa com 120 mil animais do hospital veterinário Sena Madureira, na vila Mariana – São Paulo

**IBGE

Essas doenças estão entre as principais causas de morte dos animais, já que, por serem silenciosas, muitas vezes só são diagnosticadas em sua fase avançada. Para aumentar as chances de cura, o médico-veterinário oncologista Dr. Guilherme Brant reforça a importância de exames preventivos. “O correto é que os animais acima de sete anos façam uma ultrassonografia por ano, além de uma avaliação clínica e exames de sangue a cada seis meses. Dessa forma, a chance de diagnosticar a doença em seu estágio inicial e de alcançar sucesso no tratamento aumenta de forma considerável. Em casos de aparecimento de nódulos de pele ou em região mamária, o dono do animal deve buscar um médico-veterinário imediatamente”, afirma.

Mesmo que seja mais comum em animais mais velhos, é possível também a ocorrência de tumores em animais mais novos.

Tumor de mama em cadela
Linfoma em Cães
Mastocitoma em cão

“A TC é extremamente necessária para avaliar tumores em órgãos vitais, como fígado, pulmão e coração, ou aqueles localizados em uma região de difícil abordagem cirúrgica, como a cabeça. Ela é essencial para o cirurgião saber a melhor forma de abordar a lesão e para informar se o câncer já espalhou para os outros órgãos.”

Dr. Guilherme Brant, médico-veterinário oncologista.

Diagnóstico

Para a identificação dos tumores em órgãos internos, é necessário, na  maioria dos casos, a realização de exames por imagem, como a ultrassonografia abdominal, radiografias e por último a tomografia computadorizada (TC), todos oferecidos pelo Visiovet – Diagnóstico Veterinário. “A TC é importante para saber o quanto a doença avançou, principalmente na ocorrência de lesões menores, as quais muitas vezes não são visualizadas nos outros exames. Outra situação em que a tomografia é importante, é o planejamento cirúrgico de tumores que se encontram em regiões de difícil abordagem pelo cirurgião, como tumores em fígado, cabeça e em cavidade torácica.  Essas informações nos permitem uma avaliação muito mais precisa, fundamental para decidir a melhor forma de tratamento”, explica dr. Guilherme.

Os tumores de pele, por sua vez, devem ser diagnosticados por meio da citologia aspirativa e biópsias. 

Massa contigua com o baço. Histopatologia: hemangiossarcoma
Acentuado aumento dos linfonodos mandibulares (entre as setas amarelas). Citologia: linfoma

Tratamento

Nem todo câncer em cães e gatos tem cura, mas é possível optar por um tratamento que garanta uma total qualidade de vida ao animal. O mais comum é a cirurgia para retirada do tumor, porém quando o tumor já apresenta uma metástase (está acometendo um outro órgão à distância) ou um grande potencial para levar a uma metástase no futuro, a quimioterapia é indicada como tratamento complementar à cirurgia. Os tumores sistêmicos, como a leucemia e a maioria dos linfomas, são tratados apenas com quimioterapia.

“Na quimioterapia veterinária, somos muito menos agressivos se comparado à quimioterapia humana. Sendo assim, a intensidade dos efeitos colaterais é muito menor. Nos casos em que não conseguimos alcançar a cura do animal, nosso principal objetivo é manter a qualidade de vida do cão ou do gato. Junto com a quimioterapia, administramos medicamentos para a proteção da mucosa estomacal do animal e uma dieta à base de um patê específico, minimizando, assim, a ocorrência de vômitos e diarreia. Se houver queda significativa dos glóbulos brancos (células de defesa do organismo) também recomendamos o uso de antibiótico”, diz o médico-veterinário.

Nem todo tumor é câncer. Há os tumores benignos (propagação lenta e geralmente restrita, sem capacidade de se espalhar) e os malignos (propagação em alta velocidade com capacidade de se espalhar para outros órgãos). Os tumores malignos apresentam maior risco à vida do animal, já os benignos trazem consequências mais sérias se estiverem localizados em órgãos nobres, como o cérebro e o coração.